Conto: Em busca da felicidade...

Caminhava ela desprevenida, sem medos e preocupações. Olhava ao seu redor procurando por algo, como um olho doente em desfoco procura por um objeto distante ou próximo para focar.


Enquanto vivia tentava sorrir, quando a felicidade de outros extraía. Mas ela não sorria, tampouco sentia prazer. Repugnava seu ser e desejava a morte a todo instante.

https://lh4.googleusercontent.com/-b9cmjlXa3hI/TkBBpmQBmrI/AAAAAAAACWI/LW4ieRJluM0/Sem%252520T%2525C3%2525ADtulo-2.pngEra tarde, o céu tingido de rosa e laranja banhava os sorrisos por toda a cidade. Todos tão depressa, por ela passavam tão lentamente como a última folha que cai ao início do inverno. Ela teria que dar um fim a toda alegria, ela, apenas ela o faria.

Olhava atentamente em todos os cantos da cidade, à procura de alguém tão infeliz quanto ela. Mas não era possível, obviamente. Nem a mais pobre das pessoas, nem a mais doente, nem a mais deformada. Nem mesmo a mais solitária das pessoas seria tão infeliz quanto ela. Mas ela ainda procurava.

Ao fim da tarde, estava atrasada. Hora de buscar alguém com pouca sorte, que a encontre beirando a morte. E então, ela encontrou...

O homem estava deitado em sua cama, doente e velho, mal respirava. Amparava seus filhos que o cercavam, tentava cessar suas lágrimas, mas todo esforço era em vão...

Ela bateu em sua porta, mas ninguém deu atenção. Nem mesmo ao ranger quando abriu, ou ao forte bater quando fechou. Sempre despercebida, sempre sozinha, ela pegou seu instrumento e levou ao encontro do velho doente.

Olhava para ele com pena, como se não quisesse fazer aquilo. Era sua obrigação, mas daria a vida para não o fazer. Apesar disso, não tinha outra forma: teria que levá-lo.

O velho doente olhava para ela com contentamento, tentando também ampará-la para que não se entristecesse. Ela por sua vez, não o olhava nos olhos, tinha medo de sua reação, pois ninguém se alegrava em vê-la. Entretanto, o velho segurou em sua mão por cima da velha capa, de onde saiu poeira e vento, como se ali ninguém nunca tocara. Ela o olhou nos olhos, finalmente via a felicidade onde pensava que não existia, ela então sorriu, como retribuição.

Ela segurou na velha e enrugada mão do homem, e levantou-o de sua cama. Saíram pela porta da frente enquanto ele ainda sorria. Ela o soltou e o viu partir, que acenava para ela enquanto ia.

Já era noite, ela caminhava pensante. Como seu último escolhido podia sorrir naquele instante? Curiosa, sentia algo diferente, algo que jamais sentira em toda sua existência: "Podia existir alegria na morte."

A morte então continuou sua caminhada, motivada agora a não levar consigo a tristeza, mas sim a alegria de quem buscava uma nova jornada. Bateu suas asas e voou, quando sua capa preta fundiu-se com a noite e desapareceu em meio a escuridão. Sorrindo, foi para bem longe, onde outro alguém, tão feliz em vê-la quanto seu último escolhido, encontrou.

Conto: A Menina e o Morangueiro. Parte II

  O jovem cavaleiro logo caiu em si, e entendeu que esta era a bruxa que enfeitiçara Margarette. Sentiu uma incontrolável vontade de atravessar sua espada pelo corpo da bruxa, mas acalmou-se e continuou espiando.


https://lh4.googleusercontent.com/-XiaP-o2MX7A/TjiN85SY6sI/AAAAAAAACVw/TPgJCxPh3nM/Sem%252520T%2525C3%2525ADtulo-2.png  Passaram-se alguns minutos, e a bruxa apagou a fogueira e foi para casa. O jovem cavaleiro a seguiu, tentando evitar qualquer tipo de barulho. Caminharam poucos metros, até que chegaram à velha casa. Margarette já estava em sua forma humana, e olhava atentamente pela janela, à procura de seu companheiro.

— Esperando alguém, minha querida? — Perguntou a bruxa, em tom sarcástico.

— Não, minha senhora. — Respondeu-lhe Margarette, tão triste como uma noite sem luar.

— Você continua tão bela como sempre, como é possível? — A bruxa segurava uma das mechas dos longos cabelos de Margarette. — Será minha prisioneira por muito tempo, acredito. As outras pobres donzelas... Suas belas feições eram tão passageiras que me arrependo de tê-las feito minhas prisioneiras. Um feitiço tão complicado como este, de transferência de beleza e revitalização, não pode ser desperdiçado com qualquer uma, não é mesmo? — A bruxa parecia pensativa, como se lembrasse de cada uma de suas vítimas.

— Sim, minha senhora. — Respondeu Margarette, ainda mais triste.

  Enquanto a bruxa tagarelava nos ouvidos de Margarette, o jovem cavaleiro espreitava ao redor da casa, preparando-se para entrar e atacar. Estava agachado em baixo do peitoril da janela, ouvindo a conversa. Foi então que tudo ficou em silêncio, apenas os sons da floresta eram perceptíveis. Sentiu um arrepio em sua espinha, olhou para trás e viu algo como fumaça se formando atrás dele. Nunca havia visto algo assim, mas logo imaginou o que seria: bruxaria. Retirou sua espada da bainha e a pôs em ordem de batalha, mas a bruxa não o atacou.

Conto: A menina e o Morangueiro.

https://lh4.googleusercontent.com/-XiaP-o2MX7A/TjiN85SY6sI/AAAAAAAACVw/TPgJCxPh3nM/Sem%252520T%2525C3%2525ADtulo-2.png  Era uma vez, uma linda menina que todos os dias ia para os longínquos bosques recolher flores para sua mãe doente. Uma vez, durante a viagem ao bosque, a menina foi surpreendida por uma velha, que estava atirada ao chão e pedia por ajuda. A menina, de muito bom coração, estendeu sua mão para ajudar a pobre velha.
  
  Seu rosto estava coberto por uma capa negra e velha, e suas mãos aparentavam ser tão velhas quanto o tempo. A menina, como uma amiga, pediu para que a velha retirasse o capuz para que ela a examinasse, para o caso de haver algum ferimento. A velha, com um sorriso malicioso, retirou o capuz. Seu rosto era pálido como a neve, e tão aparentemente velho quanto suas mãos. 
  
 A menina aterrorizou-se, mas não o demonstrou. Despediu-se da velha e pôs-se a caminhar. Mas não tardou e a velha a agarrou pelos braços, surrealmente forte, e disse que queria a agradecer.

— Muito obrigado minha jovem, muitos não parariam para me ajudar. — Disse a velha, ainda com o mesmo sorriso malicioso em seu rosto. 
— Por nada senhora, mas infelizmente tenho que ir, minha mãe me espera. — Insistiu.
— Espere! Tenho um presente como retribuição. — A velha estendeu sua mão, e nela havia um pequeno, mas aparentemente suculento morango.
  
 A menina apanhou o pequeno morango e agradeceu, mas a velha, insistente, pediu para que ela o comesse, dizendo que era o melhor exemplar que ela poderia comer em vida. A menina com muita fome e atraída pelo lindo morango, o pôs em sua boca.
  
 De início, sentiu-se maravilhada pelo quão saboroso era o morango. Mas em seguida, sentiu uma forte dor por todo seu corpo. Contorcendo-se, foi ao chão como se suas pernas não mais a agüentassem. Gritava por ajuda ao mesmo tempo em que chorava. A velha a olhava com o mesmo sorriso malicioso, mas agora exibia-se como vitoriosa.

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