Conto: Em meio ao nevoeiro

Lá estava ele, tomado por lagrimas, enquanto via sua amada partir.
A beira mar, pés sob a areia molhada pela chuva, que pareciam completar suas lágrimas.

Ela ia desaparecendo em meio ao nevoeiro, que engoliu tudo à sua frente.

Nós não podíamos ficar juntos – ele pensava.
Nós enfrentaríamos as barreiras – ele dizia.

Enquanto ainda ouvia-se o roncar do motor do barco, ele pensava em todos os momentos felizes em que viveram, pensava no amor que sentia por ela, pensava apenas nela. Mas ela teve de partir, mas ela teve de acompanhar os pais – que ainda traçavam seu caminho.

Ainda nos veremos – ele gritou.

Enquanto suas lagrimas se confundiam com as gotas melancólicas da chuva, ele olhava atentamente para o horizonte nublado à sua frente, desorientado, sentou-se ao chão, e viu um pingente em formato de coração, caído sob a areia.
Pegou-o e viu o nome de sua amada, apertou firme e colocou dentro do bolso da camisa.

Enquanto seu coração estiver próximo ao meu, sempre estaremos juntos – ele falou.

A dor da distância.

Antigamente, amigo era aquele que estava sempre ao seu lado, apoiando, criticando, ajudando. Era aquele que saia com você, que ia à sua casa e etc. Mas hoje, a amizade expandiu-se e rompeu as barreiras da aproximação. Mas isso é uma coisa boa?

A maior parte das pessoas hoje passa grande parte do dia em frente de um computador, principalmente os adolescentes. Com isso em mente, as pessoas criaram as redes sociais, que serviriam como meio de comunicação rápida entre amigos, mas também como forma de fazer novos amigos.

Mais e mais pessoas foram aderindo a essa idéia de relacionamento, e com isso, foram fazendo vários amigos, por toda parte do país, e até do mundo.

A amizade cresce, fica fora de controle, ou fora do nível aceito para uma amizade "falsa", que era apenas para se resumir a internet. Logo, já tratamos o novo amigo como o melhor - trocamos segredos, criamos planos...

Então, após meses de conversas a distância, bate aquela vontade de ter a pessoa ao seu lado, para sentir realmente a presença dela diante de você, saber como ela realmente é. Com isso, vem a tristeza de não poder ter a pessoa ao seu lado, com uma pitada de raiva, por várias vezes a amizade virtual ser mais amiga do que a amizade "real". 

O problema se torna ainda maior, quando o que era apenas uma amizade, se torna amor. Você ama uma pessoa que nunca viu, nunca tocou, nunca sentiu o cheiro ou o calor, nunca abraçou nem beijou, nunca nem esteve a 10 metros de distância. Mas você a ama, não importando as barreiras, você sabe que sente algo maior pela pessoa, maior do que uma simples amizade virtual.

Você sonha todos os dias em estar ao lado da pessoa, mesmo que ela more a muitos quilômetros de distância. Você sonha com o dia em que correrá para os braços dela, em que tudo parecerá em câmera lenta. Você sonha, mas o sonho acaba virando uma carta trancada em um baú, do qual você perdeu a chave. A chave no caso seriam todas as barreiras que impossibilitam a realização do sonho, como idade, dinheiro, etc, etc e etc...

Então, amizades virtuais são maravilhosas, mas ao mesmo tempo, machucam. Machucam por não podermos estar ao lado dos novos amigos - que são melhores do que amigos reais. Mas apesar de tudo, você sabe que poderá contar com a pessoa, não importam as circunstancias, ela estará ali, todos os dias em que você olhar seus contatos online, ela estará te esperando, estalando os dedos para começar a conversar com você por horas e horas...

Enquanto não inventam uma maquina de teletransportes, isso fica apenas nos sonhos. Mas quem sabe, algum dia, você encontre pessoalmente seu amigo virtual? E quem sabe, seu amor virtual? Esse que poderia, talvez, ser o amor da sua vida...

Modas sem sentido.

Ah algum tempo atrás não se via muito as palavras "antissocial" ou "bipolar" no meio adolescente. Mas hoje, com a moda do twitter, parece que todo mundo acabou virando as duas coisas. 

É interessante, porque eu realmente não entendo o que uma pessoa pensa quando tenta parecer que é antissocial - uma coisa ruim, que interfere muito na vida de uma pessoa, e que é uma doença. O mesmo acontece com quem se diz bipolar, mas não é. Só por você ser um (a) adolescente que odeia os pais e seu cachorro late muito alto - e isso te irrita, não te faz bipolar, no máximo uma pessoa estressada.

Às vezes eu também vejo uma pessoa que se diz antissocial, mas todo final de semana está descendo até o chão na balada, se descabelando, conversando, pegando e etc. Isso não faz sentido, já que ser mais sociável que isso não dá - é hilário até.

Se você acha que ser antissocial vai te fazer uma pessoa "mais legal" (?), tente conhecer uma pessoa que realmente é. Você vai ver como é difícil para ela e vai mudar sua opinião no mesmo instante. O mesmo vale para você que se diz bipolar, porque caso realmente seja, você precisa se tratar.

Imagem xerocada.

O que há com pessoas que insistem em tentar manter uma imagem que não tem nada a ver com sua própria personalidade?

Será a falta de conhecimento sobre si mesmo, ou apenas a tentativa absoluta por reputação sobre qualquer área?

Tomar como caminho a ser seguido, uma tendência, não é errado - não quando levado de maneira não-obsessiva. Mas tentar ser algo que você realmente - e impossivelmente - não é, é algo errado e doentio. A falta de confiança em criar um estilo que caracterize a si mesmo leva multidões de pessoas a viveram uma vida que não é exatamente sua, mas sim total ou parcialmente idêntica a de mais uma ou milhares de outras pessoas.

Nada justifica deixar de lado "você", para ser "ele (a)". Porque não tentar criar algo totalmente novo? O medo que toma toda uma maioria de pessoas faz com que o mundo seja movido a "diferenças iguais", ou seja, se você deixa de seguir estilo tal, para seguir estilo tal, você não está sendo diferente, nem mesmo está sendo você, mas sim estará sendo algo fabricado por um meio de comunicação popular que você acompanha.

Não que eu não seja - em alguns aspectos - igual a outras pessoas/estilos. Mas tento acima de tudo, ser eu mesmo, sem deixar algo agradável, bonitinho e popular tomar conta de mim. Ninguém precisa ser outra pessoa para ser alguém, mas sim ser alguém para ser diferente das outras pessoas. 

Então, seja você mesmo acima de tudo, mesmo que isso não condiga com a moda atual.

Texto para uma pessoa em particular.

O primeiro beijo.

Acho que todas as pessoas, com mais ou menos onze anos já começam a pensar no primeiro beijo. "Como vai ser" ou "Será que vou fazer direito" (isso serve pra outras coisas também, rs) são as perguntas mais frequentes, antes do tão esperado beijo.

Algumas pessoas esperam algo especial, em um lindo dia ensolarado, com pássaros voando e um lugar paradisíaco. Outras já esperam algo mais direto - pegar todas na balada e ninguém ficar sabendo que você nunca havia beijado.

Há também aquelas pessoas que ficam treinando, normalmente com uma maçã. Pegam a fruta e correm para um canto sem ninguém (normalmente correr para um canto sozinho na adolescência significa outra coisa...) e trocam uns amassos com a maçã.

Geralmente, o primeiro beijo acontece em uma hora em que ninguém esperava, só acaba acontecendo. Mas também existem alguns casos em que a pessoa prepara tudo, desde o local até a roupa que vai usar.

- O coração acelera, o suor começa a escorrer por todo o corpo, sentimos algo diferente, algo desconhecido, um calor em um dia frio. Então acontece, os dois lábios se encontram, o tempo para. Uma nova fase em nossa vida começa a partir desse beijo.

Então, os lábios se separam, um suspiro de alivio diz que a infância chegou ao fim. E então nos perguntamos: