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Vocação


Queria ser escritor, mas escrever eu não sabia. Queria ser professor, mas o que ensinar não havia. Tentei então ser escultor, mas minhas obras ninguém entendia. Por fim, restou-me o amor, que há muito eu não vivia.

Lembrei-me então da dor e da mágoa que ele trazia, assim sentei-me ao canto e logo me veio uma melodia. Melosa e suave, mas que tristes recordações trazia. Então, veja só que emoção, encontrei minha vocação: depois de muito tentar, percebi que sabia compor uma linda canção.

Cantei num barzinho e todo mundo gostou, logo ouvi de longe, baixinho: "olha só meu sinhô, veja só que bom compositô". Larguei minha vida e lancei-me na estrada, não passou muito tempo e minha melodia se encontrava nas paradas.

Era autógrafo, era fã, era coisa que não acabava mais, talvez não fosse isso que eu buscasse tempos atrás.

Já cansado e abatido, encontrei um velho amigo: um fazendeiro muito bem-sucedido. Olhei com atenção e vi sua expressão: suave e despreocupado, com muita felicidade no coração. Que inveja que senti, tenho que admitir; imagine se fosse eu que estivesse ali? Não foi nem um dia e logo me veio a euforia: larguei tudo outra vez com convicção, estava decidido a voltar para o sertão.

Chegando lá meu amigo, você nem vai acreditar, estava tudo tranquilo e nenhum autógrafo teria de dar. Sabia agora que ali era minha vida e dali nunca devia ter partido, sabia agora que dali jamais haveria de mudar.

O diário de um sobrevivente #1

O Sol nasce, os pássaros começam a cantoria matinal - apesar de passar despercebida na maioria das minhas manhãs. Abrir as janelas nem pensar, tampouco as portas e portões. Checar os cantos e ruas, becos e vielas, casas vizinhas e todos outros lugares possíveis.

Feito! Agora ir às compras...

Sabe, sair de casa poderia parecer prazeroso e tudo o mais, encontrar os amigos, ou uma caminhada rotineira... Parecia! Agora sair de casa pode ser a última coisa que fará em toda a sua vida. Não há amigos para encontrar ou cachorros e gatos correndo pelos lados, não. Existem pessoas! Sim, existem muitas pessoas que posso encontrar a qualquer momento, mas não digo que seria algo interessante e saudável. Veja bem, não sou uma pessoa antissocial, até gostaria de poder conversar com todas as pessoas que visse pela frente, porém isso, agora, poderia custar minha vida.
Checar o local: feito.

Conto: A menina e o Morangueiro.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0Ppo_xeyCWBK58ECrkzez0_-TtYounSKtCPLjoxm6BUkC-L3RHvwBw3e9-Nesl1JoMWoUIiA1XoFhBKxNxgSI16AHRMGKungJkKXFuYmD6p14RIxYvLgbv3_4D11HPpH7XUuNpMcksho/  Era uma vez, uma linda menina que todos os dias ia para os longínquos bosques recolher flores para sua mãe doente. Uma vez, durante a viagem ao bosque, a menina foi surpreendida por uma velha, que estava atirada ao chão e pedia por ajuda. A menina, de muito bom coração, estendeu sua mão para ajudar a pobre velha.
  
  Seu rosto estava coberto por uma capa negra e velha, e suas mãos aparentavam ser tão velhas quanto o tempo. A menina, como uma amiga, pediu para que a velha retirasse o capuz para que ela a examinasse, para o caso de haver algum ferimento. A velha, com um sorriso malicioso, retirou o capuz. Seu rosto era pálido como a neve, e tão aparentemente velho quanto suas mãos. 
  
 A menina aterrorizou-se, mas não o demonstrou. Despediu-se da velha e pôs-se a caminhar. Mas não tardou e a velha a agarrou pelos braços, surrealmente forte, e disse que queria a agradecer.

— Muito obrigado minha jovem, muitos não parariam para me ajudar. — Disse a velha, ainda com o mesmo sorriso malicioso em seu rosto. 
— Por nada senhora, mas infelizmente tenho que ir, minha mãe me espera. — Insistiu.
— Espere! Tenho um presente como retribuição. — A velha estendeu sua mão, e nela havia um pequeno, mas aparentemente suculento morango.
  
 A menina apanhou o pequeno morango e agradeceu, mas a velha, insistente, pediu para que ela o comesse, dizendo que era o melhor exemplar que ela poderia comer em vida. A menina com muita fome e atraída pelo lindo morango, o pôs em sua boca.
  
 De início, sentiu-se maravilhada pelo quão saboroso era o morango. Mas em seguida, sentiu uma forte dor por todo seu corpo. Contorcendo-se, foi ao chão como se suas pernas não mais a agüentassem. Gritava por ajuda ao mesmo tempo em que chorava. A velha a olhava com o mesmo sorriso malicioso, mas agora exibia-se como vitoriosa.

Conto: O quão mórbido é o amor.

Caminhava o casal apaixonado. Fria e melancólica, a noite chorava por sua brisa, visível através da luz dos vários postes enfileirados pela rua.

Sentaram-se em um banco, tão gélido que recuaram ao tocá-lo. Abraçaram-se. Por trás, um homem encapuzado aproximava-se lentamente. As mãos aos bolsos do longo sobretudo garantiam-lhe um ar misterioso, mas não ameaçador - afinal de contas, estava muito frio. Ainda caminhando, sacou de seu bolso um objeto metálico, que refletia a pálida luz do luar que, tímido, escondia-se sobre um punhado de nuvens passageiras.

Antes que o rapaz apaixonado pudesse perceber, a faca atravessara sua amada violentamente que, já sem vida, caiu sobre seus braços. O homem encapuzado apanhou as jóias da pobre mulher e desapareceu sobre a névoa.

Ainda em estado de choque, o inconsolável rapaz olhava para suas mãos. O sangue quente escorria por elas até chegar ao chão e tingi-lo de vermelho. Ele tentava reanimá-la, mas já não havia tempo, ela já estava morte. Desesperado, pôs suas mãos trêmulas por debaixo de sua amada e a carregou até sua casa, onde a colocou sobre sua cama. Limpou o sangue e a cobriu, deitou ao seu lado e dormiu.

Passaram-se dias; ele ainda mantinha o cadáver em seus aposentos. O odor que exalava do defunto era quase insuportável, mas ele ainda dormia ao seu lado por todas as noites.

O ar mórbido e triste o deixava ainda mais fora de si, até que, vendo o estado que se encontrava os restos mortais de sua companheira, não restou-lhe outra opção a não ser substituir aquele corpo.

Saiu pela noite, como quem sai para passear. Avistou uma mulher que caminhava sozinha e desatenta. A rua estava deserta - ela era seu alvo. Da mesma forma que sua amada fora assassinada, ele atravessou as costas da mulher com uma faca pontiaguda, que nem ao menos teve tempo para um último suspiro. Seu corpo fora carregado pelo rapaz desolado, que parecia não se importar com o sangue que escorria.

Mês após mês ele mantinha sua rotina assassina. Substituía os corpos quando já não suportava o odor. Sua cama, tão pútrida quanto os corpos que por sobre ela jaziam, sua casa tão fétida quanto é possível de se imaginar; doente e fraco, pressentia que seus últimos dias se aproximavam.

Driblou a lei o quanto pôde, até que por fim o descobriram. Cercado pelo medo e desgosto, voltou a si. Prestando atenção em tudo a sua volta, via-se diante de uma carnificina inimaginável e, olhando para si, viu que há muito já não era mais o mesmo. Ele havia cometido tudo aquilo e, naquele momento encontrava-se sem saída. Percebeu o monstro que se tornara, mas já era tarde demais para voltar.

Correu até o porão onde guardara sua amada, ou o que restara de seu corpo. Apanhou a faca que trazia em seu bolso e, trêmulo, atravessou seu próprio peito, que pulava com as pulsações exaustivas de seu coração. Em seus últimos suspiros e forças, deitou-se ao lado do cadáver e fechou os olhos. Em um momento súbito, uma imagem veio-lhe como um conforto: o sorriso caloroso de seu grande amor. Sua lembrança mais pura e inocente de um tempo do qual jamais teria de volta.

Uma lágrima escorreu sobre seu rosto e, com o pouco de força que lhe restava, pediu perdão.

O amor, apesar de puro, tornou-o sádico, envenenou sua alma e afetou sua mente. Inerte a situação e impulsionado pelo ódio, fez com que sentissem o que ele sentiu, apesar de que esse não era o motivo dos homicídios. Queria, apesar de tudo, que sua amada estivesse com ele para sempre, mesmo que para isso tivesse que sacrificar sua sanidade - ou a si mesmo -, pois toda sua essência havia partido junto de seu grande e verdadeiro amor.

Conto: Em meio ao nevoeiro

Lá estava ele, tomado por lagrimas, enquanto via sua amada partir.
A beira mar, pés sob a areia molhada pela chuva, que pareciam completar suas lágrimas.

Ela ia desaparecendo em meio ao nevoeiro, que engoliu tudo à sua frente.

Nós não podíamos ficar juntos – ele pensava.
Nós enfrentaríamos as barreiras – ele dizia.

Enquanto ainda ouvia-se o roncar do motor do barco, ele pensava em todos os momentos felizes em que viveram, pensava no amor que sentia por ela, pensava apenas nela. Mas ela teve de partir, mas ela teve de acompanhar os pais – que ainda traçavam seu caminho.

Ainda nos veremos – ele gritou.

Enquanto suas lagrimas se confundiam com as gotas melancólicas da chuva, ele olhava atentamente para o horizonte nublado à sua frente, desorientado, sentou-se ao chão, e viu um pingente em formato de coração, caído sob a areia.
Pegou-o e viu o nome de sua amada, apertou firme e colocou dentro do bolso da camisa.

Enquanto seu coração estiver próximo ao meu, sempre estaremos juntos – ele falou.

A dor da distância.

Antigamente, amigo era aquele que estava sempre ao seu lado, apoiando, criticando, ajudando. Era aquele que saia com você, que ia à sua casa e etc. Mas hoje, a amizade expandiu-se e rompeu as barreiras da aproximação. Mas isso é uma coisa boa?

A maior parte das pessoas hoje passa grande parte do dia em frente de um computador, principalmente os adolescentes. Com isso em mente, as pessoas criaram as redes sociais, que serviriam como meio de comunicação rápida entre amigos, mas também como forma de fazer novos amigos.

Mais e mais pessoas foram aderindo a essa idéia de relacionamento, e com isso, foram fazendo vários amigos, por toda parte do país, e até do mundo.

A amizade cresce, fica fora de controle, ou fora do nível aceito para uma amizade "falsa", que era apenas para se resumir a internet. Logo, já tratamos o novo amigo como o melhor - trocamos segredos, criamos planos...

Então, após meses de conversas a distância, bate aquela vontade de ter a pessoa ao seu lado, para sentir realmente a presença dela diante de você, saber como ela realmente é. Com isso, vem a tristeza de não poder ter a pessoa ao seu lado, com uma pitada de raiva, por várias vezes a amizade virtual ser mais amiga do que a amizade "real". 

O problema se torna ainda maior, quando o que era apenas uma amizade, se torna amor. Você ama uma pessoa que nunca viu, nunca tocou, nunca sentiu o cheiro ou o calor, nunca abraçou nem beijou, nunca nem esteve a 10 metros de distância. Mas você a ama, não importando as barreiras, você sabe que sente algo maior pela pessoa, maior do que uma simples amizade virtual.

Você sonha todos os dias em estar ao lado da pessoa, mesmo que ela more a muitos quilômetros de distância. Você sonha com o dia em que correrá para os braços dela, em que tudo parecerá em câmera lenta. Você sonha, mas o sonho acaba virando uma carta trancada em um baú, do qual você perdeu a chave. A chave no caso seriam todas as barreiras que impossibilitam a realização do sonho, como idade, dinheiro, etc, etc e etc...

Então, amizades virtuais são maravilhosas, mas ao mesmo tempo, machucam. Machucam por não podermos estar ao lado dos novos amigos - que são melhores do que amigos reais. Mas apesar de tudo, você sabe que poderá contar com a pessoa, não importam as circunstancias, ela estará ali, todos os dias em que você olhar seus contatos online, ela estará te esperando, estalando os dedos para começar a conversar com você por horas e horas...

Enquanto não inventam uma maquina de teletransportes, isso fica apenas nos sonhos. Mas quem sabe, algum dia, você encontre pessoalmente seu amigo virtual? E quem sabe, seu amor virtual? Esse que poderia, talvez, ser o amor da sua vida...

Modas sem sentido.

Ah algum tempo atrás não se via muito as palavras "antissocial" ou "bipolar" no meio adolescente. Mas hoje, com a moda do twitter, parece que todo mundo acabou virando as duas coisas. 

É interessante, porque eu realmente não entendo o que uma pessoa pensa quando tenta parecer que é antissocial - uma coisa ruim, que interfere muito na vida de uma pessoa, e que é uma doença. O mesmo acontece com quem se diz bipolar, mas não é. Só por você ser um (a) adolescente que odeia os pais e seu cachorro late muito alto - e isso te irrita, não te faz bipolar, no máximo uma pessoa estressada.

Às vezes eu também vejo uma pessoa que se diz antissocial, mas todo final de semana está descendo até o chão na balada, se descabelando, conversando, pegando e etc. Isso não faz sentido, já que ser mais sociável que isso não dá - é hilário até.

Se você acha que ser antissocial vai te fazer uma pessoa "mais legal" (?), tente conhecer uma pessoa que realmente é. Você vai ver como é difícil para ela e vai mudar sua opinião no mesmo instante. O mesmo vale para você que se diz bipolar, porque caso realmente seja, você precisa se tratar.

Imagem xerocada.

O que há com pessoas que insistem em tentar manter uma imagem que não tem nada a ver com sua própria personalidade?

Será a falta de conhecimento sobre si mesmo, ou apenas a tentativa absoluta por reputação sobre qualquer área?

Tomar como caminho a ser seguido, uma tendência, não é errado - não quando levado de maneira não-obsessiva. Mas tentar ser algo que você realmente - e impossivelmente - não é, é algo errado e doentio. A falta de confiança em criar um estilo que caracterize a si mesmo leva multidões de pessoas a viveram uma vida que não é exatamente sua, mas sim total ou parcialmente idêntica a de mais uma ou milhares de outras pessoas.

Nada justifica deixar de lado "você", para ser "ele (a)". Porque não tentar criar algo totalmente novo? O medo que toma toda uma maioria de pessoas faz com que o mundo seja movido a "diferenças iguais", ou seja, se você deixa de seguir estilo tal, para seguir estilo tal, você não está sendo diferente, nem mesmo está sendo você, mas sim estará sendo algo fabricado por um meio de comunicação popular que você acompanha.

Não que eu não seja - em alguns aspectos - igual a outras pessoas/estilos. Mas tento acima de tudo, ser eu mesmo, sem deixar algo agradável, bonitinho e popular tomar conta de mim. Ninguém precisa ser outra pessoa para ser alguém, mas sim ser alguém para ser diferente das outras pessoas. 

Então, seja você mesmo acima de tudo, mesmo que isso não condiga com a moda atual.

Texto para uma pessoa em particular.