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Peça inútil

    Sentimentos que me afligem pairam sobre esta coroa de espinhos. Como lidar com estes medos, estas vontades... Estes arrependimentos. A vida me parece um tanto frágil, instável, nunca caminhando em linha reta. Basta um olhar ou palavra, e tudo está diferente.

    Houve um tempo em que se poderia dizer que o Sol amanheceria sem consigo trazer receios. Houve um tempo em que viver valia a pena, ou pelo menos se valia a pena continuar buscando como se viver. Hoje algo parece ter mudado. Saber que um futuro incerto caminha engolindo sonhos e desejos, algo imposto pela sociedade hipócrita que te faz se sentir inútil, isso faz com que a vontade de continuar seja insignificante. De que vale viver sem motivos?

    Não sei o quanto mereço estar vivo...

    Nunca saberei se este último autorretrato será usado como estampa da lápide anunciando minha morte.  Não saberei se esta será minha última ideia impressa, se as roupas que visto serão as últimas antes do terno escuro coberto por flores que exalam o odor doce e suave da morte. A vida é incerta, tanto quanto a morte. É um jogo onde sempre o mesmo lado irá ganhar, e garanto que este não é o seu.

    Imagine que o corpo humano seja a peça mais frágil de todo este jogo chamado vida, e que um desses corpos podem ser seus pais, seus irmãos ou seus amigos. Já pensou quão dura será a partida? Já imaginou a despedida de quem mais se ama, para nunca mais vê-la? A vida pode ser bela, mas há uma beleza sádica aqui, uma beleza que não nega esforços para testar sua força, sua vontade e seus objetivos.

    Se há uma peça sem propósitos que valham a pena, jogue-a como benefício para outra maior. Não seja esta peça, não quero ser esta peça, espero nunca presenciar a hora em que esta peça for usada. 

Análise;

Enquanto me aprofundo em meu ser, algumas coisas parecem se tornar tão difíceis ao ponto de parecerem simples. Simples somente em minha cabeça, meu mundo imaginário, onde qualquer situação se torna uma história com um final feliz. Procuro uma razão para este tormento em cada um dos meus passos dados, mas a cada passo que retorno tudo se torna mais escuro e sujo, ao ponto de eu me perder. Eu só preciso de uma explicação e um conforto, um conforto psicológico que faça com que me adapte a esse mundo, a essa situação. É injusto pensar que isso se resume a mim, porém seria injusto tratá-lo com desdém; algo tão pesado psicologicamente que se torna físico. Tento acreditar em minhas próprias palavras de que não me importo, mas na realidade, o maior dos problemas é sobre eu me importar. No final, acabo sempre sem uma conclusão, uma resposta; continua a dúvida e o peso sobre minhas costas e minha mente. Tentar parecer normal está longe de ser uma opção, mas acaba sendo meu único caminho para esta realidade.

A dor da distância.

Antigamente, amigo era aquele que estava sempre ao seu lado, apoiando, criticando, ajudando. Era aquele que saia com você, que ia à sua casa e etc. Mas hoje, a amizade expandiu-se e rompeu as barreiras da aproximação. Mas isso é uma coisa boa?

A maior parte das pessoas hoje passa grande parte do dia em frente de um computador, principalmente os adolescentes. Com isso em mente, as pessoas criaram as redes sociais, que serviriam como meio de comunicação rápida entre amigos, mas também como forma de fazer novos amigos.

Mais e mais pessoas foram aderindo a essa idéia de relacionamento, e com isso, foram fazendo vários amigos, por toda parte do país, e até do mundo.

A amizade cresce, fica fora de controle, ou fora do nível aceito para uma amizade "falsa", que era apenas para se resumir a internet. Logo, já tratamos o novo amigo como o melhor - trocamos segredos, criamos planos...

Então, após meses de conversas a distância, bate aquela vontade de ter a pessoa ao seu lado, para sentir realmente a presença dela diante de você, saber como ela realmente é. Com isso, vem a tristeza de não poder ter a pessoa ao seu lado, com uma pitada de raiva, por várias vezes a amizade virtual ser mais amiga do que a amizade "real". 

O problema se torna ainda maior, quando o que era apenas uma amizade, se torna amor. Você ama uma pessoa que nunca viu, nunca tocou, nunca sentiu o cheiro ou o calor, nunca abraçou nem beijou, nunca nem esteve a 10 metros de distância. Mas você a ama, não importando as barreiras, você sabe que sente algo maior pela pessoa, maior do que uma simples amizade virtual.

Você sonha todos os dias em estar ao lado da pessoa, mesmo que ela more a muitos quilômetros de distância. Você sonha com o dia em que correrá para os braços dela, em que tudo parecerá em câmera lenta. Você sonha, mas o sonho acaba virando uma carta trancada em um baú, do qual você perdeu a chave. A chave no caso seriam todas as barreiras que impossibilitam a realização do sonho, como idade, dinheiro, etc, etc e etc...

Então, amizades virtuais são maravilhosas, mas ao mesmo tempo, machucam. Machucam por não podermos estar ao lado dos novos amigos - que são melhores do que amigos reais. Mas apesar de tudo, você sabe que poderá contar com a pessoa, não importam as circunstancias, ela estará ali, todos os dias em que você olhar seus contatos online, ela estará te esperando, estalando os dedos para começar a conversar com você por horas e horas...

Enquanto não inventam uma maquina de teletransportes, isso fica apenas nos sonhos. Mas quem sabe, algum dia, você encontre pessoalmente seu amigo virtual? E quem sabe, seu amor virtual? Esse que poderia, talvez, ser o amor da sua vida...

Modas sem sentido.

Ah algum tempo atrás não se via muito as palavras "antissocial" ou "bipolar" no meio adolescente. Mas hoje, com a moda do twitter, parece que todo mundo acabou virando as duas coisas. 

É interessante, porque eu realmente não entendo o que uma pessoa pensa quando tenta parecer que é antissocial - uma coisa ruim, que interfere muito na vida de uma pessoa, e que é uma doença. O mesmo acontece com quem se diz bipolar, mas não é. Só por você ser um (a) adolescente que odeia os pais e seu cachorro late muito alto - e isso te irrita, não te faz bipolar, no máximo uma pessoa estressada.

Às vezes eu também vejo uma pessoa que se diz antissocial, mas todo final de semana está descendo até o chão na balada, se descabelando, conversando, pegando e etc. Isso não faz sentido, já que ser mais sociável que isso não dá - é hilário até.

Se você acha que ser antissocial vai te fazer uma pessoa "mais legal" (?), tente conhecer uma pessoa que realmente é. Você vai ver como é difícil para ela e vai mudar sua opinião no mesmo instante. O mesmo vale para você que se diz bipolar, porque caso realmente seja, você precisa se tratar.

Imagem xerocada.

O que há com pessoas que insistem em tentar manter uma imagem que não tem nada a ver com sua própria personalidade?

Será a falta de conhecimento sobre si mesmo, ou apenas a tentativa absoluta por reputação sobre qualquer área?

Tomar como caminho a ser seguido, uma tendência, não é errado - não quando levado de maneira não-obsessiva. Mas tentar ser algo que você realmente - e impossivelmente - não é, é algo errado e doentio. A falta de confiança em criar um estilo que caracterize a si mesmo leva multidões de pessoas a viveram uma vida que não é exatamente sua, mas sim total ou parcialmente idêntica a de mais uma ou milhares de outras pessoas.

Nada justifica deixar de lado "você", para ser "ele (a)". Porque não tentar criar algo totalmente novo? O medo que toma toda uma maioria de pessoas faz com que o mundo seja movido a "diferenças iguais", ou seja, se você deixa de seguir estilo tal, para seguir estilo tal, você não está sendo diferente, nem mesmo está sendo você, mas sim estará sendo algo fabricado por um meio de comunicação popular que você acompanha.

Não que eu não seja - em alguns aspectos - igual a outras pessoas/estilos. Mas tento acima de tudo, ser eu mesmo, sem deixar algo agradável, bonitinho e popular tomar conta de mim. Ninguém precisa ser outra pessoa para ser alguém, mas sim ser alguém para ser diferente das outras pessoas. 

Então, seja você mesmo acima de tudo, mesmo que isso não condiga com a moda atual.

Texto para uma pessoa em particular.